28
jul

Hoje eu fiz uma besteira, que costumo repetir com frequência, comprar passagem com algum erro: tipo destino (sim já fiz),  ou mês, ou  dia,  e hoje foi o horário. :/

Um padrão imbecil. Que esconde um buraco mais embaixo. Uma crença de que preciso gastar, antes mesmo de receber, para me iludir, achando que esse é o motivo de eu sentar a bunda e trabalhar com intensidade, e criar várias coisas ao mesmo tempo.

Quando há algumas horas fiz isso pela quarta vez só esse ano, parei para refletir mais do que o de costume: tem um porque e eu vou saber depois…

E veio várias coisas, crenças antigas que já não fazem sentido… Como quando a Quel, minha irmã, em Jerusalém,  com uma barriga  e sabedoria, que só uma grávida de nove meses tem, disse com a maaior naturalidade: Tali, apaga essa crença de que quanto mais sucesso você tiver, mais pessoas invejosas vai atrair,  ISSO NÃO É VERDADE, vamos vibrar para que cada vez mais, você atraia sua família de alma, membros generosos como você. Na hora eu chorei muuuuito… Um, porque  não me acho tão generosa assim, e dois porque algo que parecia tão verdadeiro e me doía tanto, num clique passou a ser uma grande mentira, jogada na privada (seu merecido lugar) graças a minha irmãzinha maravilhosa!

E é real né? Quantas crenças a gente têm, que nos paralisam? Hoje eu achei mais uma aqui, essa de que eu preciso de “desculpa/rombo financeiro” para ser criativa, e que a todo momento preciso afirmar que sou generosa, pois na minha cabeça, estou sempre longe,  perto do que grande parte da minha família paterna e materna é  (não digo só financeira, mas em ensinamento, tempo, troca, amor).

Parece que chegou a hora de não precisar mais afirmar a todo instante. Como se a todo momento isso estivesse a prova.

Bora simplesmente ser, generosa, do tamanho que me cabe. E agradeço por ter exemplos tão belos! Mas que isso seja inspiração, e não obrigação pesada.

Recordando, que desde que a Quel com um clique me deixou uma tonelada mais leve, e meu núcleo familiar de alma e “melhores amigas/os” só cresce – segundo o Tadeu, eu sou a pessoa que ele conhece que mais tem “melhores amigos” hhahaha – eu aproveito para divulgar um projeto generoso da minha best Pó! rsrs

O livro: QUEM MANDA AQUI?

•••

•Gostou?! Para compartilhar, contribuir e dar sua opnião de quem manda, clique aqui!•

Tema importante, que se aplica a tantas questões no Brasil e mundo a fora, mas que hoje quando fui pegar o link do livro, pensei na Palestina.

Em março fui para Israel, e é bizarra a desconfiança para a entrada e a saída do país. Se para os Estados Unidos e Inglaterra já é aquela papagaiada de ter que “certificar” que não tem vinculo amoroso em solo, e nem vontade de morar naquele país, além de dinheiro suficiente (que eles julgam) em conta. Em Israel você tem que explicar com quem e o que foi fazer em alguma país muçulmano, e se beem por acaso, fez amigos que ainda mantém contato por facebook, oi?? Fora as perguntas e ligações para verificar se é verdade…

Mas afinal qual é o tamanho real desse “temeroso” inimigo???

Se me choca o fato do meu cunhado judeu israelita (que não se considera judeu, mas é considerado por ter nascido em família judia) não poder nos acompanhar até Belém. O nó que dá voltar do Mar Morto e ver gente ter que pular o muro,  é muito mais apertado.

Como já escrevi em outro post aqui no blog: chega das muitas “indústrias do anti-qualquer coisa”  que tem por aí, procurando culpados, manipulando fatos históricos e pessoas para ganhar dinheiro em cima de tristeza e  violência. 

O antisemitismo não pode ser mais justificativa… pelo amoor.

Quando lancei meu segundo livro infantil, a Rita, catequista na Igreja São Domingos, foi me dar um abraço e lembrou que quando tinha uns 1o, 11 anos, ela na aula, falava sobre o Povo de Deus que atravessou o deserto com Moisés, e  quando chegaram em Israel, já sob a chefia de Josué, foram requerer as terras, que achavam que por direito seriam suas. E eu a assustei, quando perguntei: E o povo que está morando lá, não tem também o mesmo direito ou talvez mais?
A Rita enquanto eu fazia uma dedicatória, garantia que também havia pensado nisso, mas não sabia como me responder, e que há 15 anos elaborava minha resposta…

Quer dizer, qualquer criança sabe, que ser dono de qualquer terra, é uma grande ilusão.

 

14
jul

Naquele mar de informações que é  a Feira de Bologna,  eu nem me lembro mais como soube do IlustraTOUR.

Só sei que  quando me dei conta que tinha workshop com o Komagata,  não pude deixar escapar a chance. (Soa beeem brega, mas é assim mesmo que senti!! hahahha)

Como bem disse o Beto: “O festival é sui generis. Em vez de ser bancado por editoras, ele é trabalhado para que os ilustradores tenham voz, desenvolvam o seu trabalho, façam workshops com nomes consagrados e caprichem no networking com agentes e editores.”

Aqui em Valladolid (Espanha), onde o festival acontece,  aluguei um apartamento em frente ao rio Pisuerga, onde tem gente pescando, muitas crianças gritando “abuuuelo”, tocando instrumentos, tomando sol na praia de rio!! :)  (Ah, isso pode ser uma dica para quem venha o ano que vem, ir no Airbnb e alugar um quarto/casa invés de hotel, que muita gente reclamou… :P )

Os workshops de 5 dias cada, era dentro do Museo Patio Herreriano  (arte contemporânea), um grande privilégio, além de ter acesso livre a todas as salas do museu, ele tem janelões que dão para ver o céu azul, um pátio verde ao centro… e mais uma vez muitas crianças correndo e gritando (tem um educativo de artes lá muito bacana, as sextas quando mostrávamos os nossos trabalhos, elas também colocavam o que criaram durante a semana no ateliê <3 !!)

Diferente de Sarmede, aqui eu senti que a pegada é outra, é também mão na massa, mas nela vai photoshop, indesign e até parede! A “paese della fiaba” é mais focada em ilustração infantil, até porque tudo começou com o Zavřel… Já aqui em Valladolid é ilustração e em tudo que isso abrange: capa de livro, periódicos, web, encarte de cd, pôster, muro, tapete

Participei do Ilustratour do começo ao fim. Colegas, professores, palestrantes… É muita troca! Cansativo até a última gota, mas inspirador ver gente tão talentosa o tempo todo, com traços diferentes do seu, ideias surreais de legais, dando palpites, expondo, contemplando!!

E para continuar essa sensação boa que fui presenteada nessas duas semanas, coloco aqui um pouco do que vivi, para quem sabe, mais gente sorrir e descobrir novos caminhos:

  • WORKSHOP 1 • Komagata • Num misto de:  faz pouco tempo ele estava muito doente  (passou meses no hospital), é japonês com a idade do meu pai,  fala Tarita que nem a minha vó, tem livros MARAVILHOSOS e me faz marear quase todas as vezes que fala, todo o resto do ilustratour poderia ter sido ruim (o que não foi! (; ) que valeria a pena ter vindo! Eu amei amei amei!

Ele abre a semana desenhando uma laranja, diz que dentro dela tem sementes, mas que não podemos ver. Quando ficam todas maduras, caem no chão gerando muita competição para quem vai conseguir brotar. Mas se vem um macaquinho comer, é bem melhor, assim, depois do processo digestivo, sua sementinha irá brotar num lugar longe dali, com menos laranjas hhahahahahahahahaha

Ele diz que não ensina nada, só mostra e oferece materiais que inspiram e estimulam nós a criarmos.  E que observar o nosso processo e criações também o estimula muito! Ai fala sério, quem não se apaixona por um ser desses???!!!!!!

Um dia cheguei atrasada, e ele estava falando, fiquei apreensiva, mas ele fez com os braços ao alto “vem vem”… E assim foi com outros que chegaram mais tarde também. Não tem stresse, mas tem disciplina. Ele trabalha muito com a surpresa das formas, e a cada exercício diz, não reclamem da forma que receberem do colega ou de mim, não escolham, criem com o que tem!

Depois de cada exercício, os 25 alunos, um a um, apresentavam os trabalhos feitos, e muitas palmas aqueciam o museu! E isso eu achei o máximo, que tira aquele tom de competitividade que as vezes paira num curso desses. As palmas são como combustível, deixa mágico.

Me senti feliz todos os dias, acordava alegre! Parecia que era criança de novo, sem medo de errar.

Aqui podem ver o meu primeiro exercício que fiz, onde me apresentei, “adivinhem de onde vim?”

E aqui um pouco do delicioso método Komagata. Gostaria que toooodos fizesse esse workshop!!! (coloquei essa música, em homenagem ao Puño, ilustrador espanhol que foi nosso colega e tradutor!)

 

  • WORKSHOP 2 •  Arnal Ballester • Como o Komagata, o Arnal é incrivelmente generoso!! Os dois são taleeentosissimos, bem sucedidos  no que fazem, ensinam  e  ilustram com o maior empenho e carinho.  São F***. E nem por isso, tem a necessidade de que os alunos fiquem bajulando-os o tempo todo, como outras experiências que já tive por aí… :(  super super super sorte eu tive dessa vez!!! <3!

A proposta do Arnal foi escolhermos alguém do grupo e “segui-lo”. Desenhar, desenhar, desenhar, observar como o outro se move, características… até achar aquilo que te chama mais atenção, que provavelmente não está no físico.  A partir daí, criamos o personagem.

Quando o Arnal ilustra qualquer personagem, por mais que o texto não diga, ele faz uma biografia: o que ele faz, come, sente, busca. Quem é a família, onde ele mora, quais são as atitudes corriqueiras… Depois ao longo das ilustras, coloca esses elementos, que vão dar mais intensidade a narrativa.

Três pessoas me escolheram para desenhar, e ganhei essas visões de mim!! Tão legal, as três me viram como planta, sem ao menos suspeitarem do meu livro “Se eu fosse uma árvore”! Uma que pegava no meu pé, disse que sou como um cacto, que tem muitos espinhos hahahah outra que sou forte como uma árvore, mas tem uma tristeza também de outono. E a que eu mais de identifiquei, pegou todos os momentos que eu relaxava (que esquecia que tinha alguém me desenhando). Dá para ver muito que sou eu hahhaah essas mãos perdidas… :P

Foi muito legal o percurso,  e aprendi muito de composição. Tenho mania de fazer tudo grande, e ele falava, diminui, diminui… e eu sempre com uma cara de desacreditada, diminuía. E não é que ficava beem melhor?? hahahah

O Komagata e o Arnal  viram todos os meus 5 livros em processo, e gentis e sinceros pra caramba, viram página por página e comentaram todas! O Komagata é um grande designer gráfico, lê imagens, não se apegou ao conteúdo do texto. Foi uma experiência ótima, ele disse ” você não precisa de cinza!!”, ameeei!! rsrs  Nisso percebi que hoje não tenho mais necessidade de tantos backgrounds, rsrs  Pode ser algo mais limpo e centralizado no papel, como o Arnal indicava seeempre também! Lindos meus mestres!

 

  • JORNADAS • Entre as duas semanas de workshop, tiveram três dias de palestras, expôs, entrevistas com editoras… Me lembrou um tanto “a Índia” que vivenciei esse ano, uma peregrinação onde nos levavam para conhecer vários ashrams diferentes, um você se identificava mais e outro menos. O Ilustratour também, dá um leque e como eles dizem: “dibuja tu mapa”. Meu highlight:

• A animação do Serge Bloch, do livro “FICO À ESPERA…”. Ele mostrou o filminho todo… e eu chorei do começo ao fim. Talvez porque era um telão e um auditório lotado, na primeira fala da jornada! Muita emoção! rsrs

Ele é muito bom no que faz, tanto que a minha amiga japonesa, que entrou sem o tradutor, ficou desperta o tempo todo, mesmo não entendo rien de riem de francês… (detalhe: num ilustrador inglês, ela dormiu 20 minutos… hahaha)

Quer dizer, a ilustração é uma língua, que ao meu ver, é mais igualitária. Independe da sua origem geográfica, e sim do que te toca.

E isso é uma coisa tão maluca, que vai aos pouco impregnando na gente, que os dois livros que elaborei tanto no workshop do Komagata quando do Arnal, foram sem texto…  (se ficaram bons e vão tocar as pessoas, é outra história heheh :/ )

• O Max disse uma coisa que fez todo o sentido pra mim: todo mundo quer achar “o seu estilo”, mas estilo não é o tipo do traço/técnica, mas sua visão de mundo.  (Lindo, né?!)

• smallword é um grupo formado por quatro editoras  incríveis, que tem em comum, criar livros onde arte e design são tão importantes quanto  texto • Tara Books (Índia), Petra Ediciones (México), One Stroke (Japão) e Les Trois Ourses (França) • Entre dividir o espaço na feira de Bologna,  trocar ideias, achar e incentivar novos autores/livros, eles buscam novos desafios, como,  tornar a “etiqueta”,  “livro infantil” em “livro para todas as idades”.

Quando o Komagata viu meu livro de fotos (ainda em processo) e a ideia do meu livro para o seu curso (também com fotos), disse que ia me apresentar a Peggy da Petra Ediciones. No dia seguinte ela sentou do meu lado, e deu uma aula de composição, tratamento, dimensão, profundidade… que um bom livro de fotos pede. Modesta, também dizia o tempo todo, essa é a minha experiência. E quê experiência, mexeu comigo. Como quando levei o livro “Se eu fosse uma árvore” ao curso do Tomie Ohtake, o Odilon fez umas críticas e vendo a minha carinha leonina contraditada, comentou “eu falei gente, não é para trazer projeto pessoal, que é difícil”.

Isso é verdade, mas depois é ótimo também, balança, mexe, e crescemos! Hoje eu amo meu livro da árvore, e sei que não estaria tão bom, se não tivesse feito as alterações na última imagem, como ele e a Rosinha sugeriram!

Zabala foi numa sala, e assim deu para as perguntas surgiram de forma mais espontânea. Respondeu todas as questões, “liberou” os processos, técnicas, tamanho de imagem, detalhes, que fez nós ouvintes, felizes!

 Pablo Amargo é forte! O cara manda muuito bem! Como professor, ouve um burburinho… Mas isso também não tem nada a ver, já fiz curso que um monte de gente não gostou e vice versa, e as experiências foram beeeem distintas!

André  da Loba encanta com sua maleta.

Ricardo Cavolo foi o que na minha opinião mais trocou com o público do auditório. Modesto, excelente ilustrador, com estilo muito próprio, se mostrou sem máscaras e deixou um bom tempo para as perguntas. Me surpreendeu seu jeito positivo, até quando as pessoas copiam uma imagem sua, “puts ouvi dizer, mas que bom que copiam lá (Coréia do Sul), né? Devem estar gostando!”   :o)

E por último e não menos importante, o Miguel Pang , amigo de Barcelona da minha hermana de sangue. Faz mais de um ano que o sigo no facebook, e adoooro o que ele faz, sou boa de fisionomia, e quando ele passou não tive dúvidas, “ei, vc é amigo da Raquel!”. Ele é descendente de cambojanos e chineses, nascido em Barcelona, sendo assim, não faltou papo, para dois descendentes orientais, nascidos no ocidente! rsrs

Mas isso fica para outro dia, que aqui já são 3:42 am.

beijinhos e espero mesmo, que o trabalho desses ilustradores também alegrem o dia de vocês!

 

 

19
mar

Israel 2014

Israel 2014Israel 2014

Escrever aqui, me faz um bem danado!

Em vários momentos do dia, penso: “nossa, seria muito legal falar sobre isso!”

Mas daí vem  uma coisa, atrás da outra… e o gap entre um post e outro fica cada vez maior… meses.

…Azar o meu. Porque registrar aqui me organiza, os pensamentos se alinham numa espiral crescente. rs

Vai ser um lindo presente, se eu conseguir escrever mais. Pois, por mais que pareça que as coisas aqui saem tudo de supetão, me exige muuita concentração.

Sou um ser caótico: tudo me distrai, vira mais importante, leva a uma nova ideia que as mãos iniciam mais um futuro trabalho que no tempo dele, vai nascer. Pra mim tudo é trabalho, no sentido mais lindo que essa palavra pode ter: a de que parar para receber visita no ateliê ou um skype com alguém querido vai me inspirar e ensinar. Alimentando o corpo e alma de alguém que cria, onde a criação vem de tudo que me proponho experienciar.

Acredito tanto nisso- que de fato o que é importante fica, nem que seja no nível mais sutil possível- que tenho a péssima mania de anotar pouco, quase nada. Por exemplo, a Índia já era algo tão intenso, que não fiz diário. O caderninho Fabriano azul escolhido, continua quase todo branco. :/

Talvez, porque muitas vezes tenho a sensação, que quando coloco em palavras certas experiências, nesse caminho muito se perde… (ou talvez porque sou mesmo muito preguiçosa indisciplinada hahhaha)

Vivenciar a existência pura e simplesmente, como o meu sobrinho(a), que também vai nascer no tempo dele.

Já trocamos muita conversa, cantamos todo o meu pequeno repertório de mantras em casa, nas caminhadas até a nascente dagua (que sua mãe adorar se banhar nesse frio), vendo o sol se por no Mar Morto, e hoje nessa lua iluminadíssima rodeada de estrelas… Obrigada por nos proporcionar tanto, meu amor! E em especial aquele dia no carro, a família inteira cantando pra Ganesha on the road!!! Deve ter sido o primeiro mantra da sua avó e vôdrasto! hahhahaha Tão pequeninho e já tão generoso…!

Olha, eu sei que você sabe, mas só quero confirmar: a nossa presença física é um detalhe minúsculo  em proporção ao nosso amor!!!!

Venha só quando estiver pronto, sem pressa, não se atropele! Você está ajudando a sua titia ansiosa a aprender, que aqui é só o começo, e que temos uma vida inteira para ficarmos juntinhos! Te abraçar fora da barriga será uma questão de tempo, agora ou dá próxima vez que vir a Israel.

Shalom shalom shalom meu pequetito mais mais mais mais mais mais amaaaado de todos os tempos!

Israel 2014

 

 

 

24
jan

mandala 2013

Acho que descobri porque tenho gostado tanto de fazer mandalas.

Deve ser pelo fato de saber que vai dar certo, mesmo não fazendo ideia de como vai ficar ao termina-la.

Claro, as vezes uma linha escapa, e vai ter que virar uma flor bem diferente do esperado… Nem por isso mais feia.

Do erro, o acerto no conjunto final. Pois se fosse para ser uma mandala milimetricamente perfeita, com certeza não seria minha e sim do computador. (Que também não sairia do MEU computador, pois não tenho habilidade para fazer nada simétrico, vide que eu sou assim por natureza torta; meus pés, batatas, seios e olhos são assimétricos a olhos nus)rsrs.

Traçar mandalas tem sido um grande exercício para o  meu lema do momento (que provavelmente dure para toda vida): CON CONFIANZA

Ajuda a seguir, firme, mesmo longe de quem está sempre tão perto!

O que cabe justo com a mensagem que vem no seu power hidrante pós escalada:

“when you get comfortable with uncertainty, infinite possibilities open up in your life”

2014 de olhos bem abertos, para nenhuma linda possibilidade se perder por aí! (;

feliz ano novo

 

21
ago

Chaing Mai_Tailândia_2013

O mar é como o corpo, sempre em movimento.

De longe muitas vezes pode parecer estático, mas as ondulações são contínuas.

Mergulhar é como meditar, sempre atento a respiração.

No barco da ideia somos dois, em baixo d’água somos um.

•••

A rocha é como a mente, deveria estar: sempre presente.

No observar do vaivém das nuvens e dos passarinhos, não querer nenhum para si: deixar vir, deixar ir.

Escalar é como meditar, sempre atento a respiração.

No foco de subir, respeitar o seu tempo. Se deslizar, recomeçar a partir da queda.

••

Mergulhar ou escalar: a intenção é atenção.

O ano passado eu mergulhei bastante, fazia anooos que eu não ia tão profundo. Já tinha visto tubarão martelo, mas dessa vez compridíssimos tubarões baleia passaram debaixo do meu corpo e alguns bull sharks apareceram também, (que no instinto, fui atrás para toca-los e o Neil Richards, meu paciente instrutor me puxou com tudo, dizia que eu tinha um pino a menos), foi sensacional!!

Tanto em Sail Rock (Tailândia) quanto em Kakaban (Indonésia) a delicadeza das algas em formas absolutamente sutis e cores tão vibrantes me captaram. Mundo que é só extraordinariamente bonito ali, com o vento submarino da correnteza dando ritmo. Fora, perde: textura, brilho e vida.

Esse ano o Chicó, amigo de infância, me deu um baita presentão: escalada. Eu inesperadamente adorei! Quando não queria mais pensar nos problemas cotidianos, seguia para o final da av Sumaré, superar algum desafio: chegar ao topo, seguir uma via diferente, confiar na agarra e aprender novos movimentos com o parceiro da vez.

Aqui em Chiang Mai, pela primeira vez escalei na rocha, e é uma coisa maluca! A textura das pedras, as copas das árvores abaixo dos pés, o friozinho da caverna, tudo é bão!!!

 

Claro, que sem os peixinhos coloridos ou o topo da montanha no seu nariz, meditar exige mais determinação. Mas nunca vou esquecer o ensinamento de um jovem discípulo do Buddha­dasa, lá no The Suan Mokkh International Dharma Hermitage. Depois de dias escutando diferentes “jeitos de começar a meditar”, de vários monges diferentes, eis que vem ele simplificar: Uma posição que deixe a coluna ereta, olhos entreabertos, um pranayama igual de tempo entre inspiração e expiração, a mente desacelera, e depois vai que vai, ora mais curta, ora mais longa, seguir e respeitar o ritmo da respiração sem pausas. Na oscilação dos pensamentos, se se apegar a algum, volte para o pranayama profundo… E depois observar a respiração de novo! rsrs
Um eterno breathing in breathing out
Simples, dá foco e presença: liberta.

 

Suan Mokkh_Tailândia 2012 Suan Mokkh_Tailândia_2012 Suan Mokkh_Tailândia_2012

fotos_
_Sail Rock (entre as ilhas Koh Phangan e Koh Tao)
_Chiang Mai
_Suan Mokkh
_sala onde fazíamos yoga as 5am e mantras 5pm
_o monge

12
ago

Chiang Mai 2013

E assim foi meu último dia do ano em 2556 d.c. rsrs (meu aniversário foi dia 11)

Virando um código de barras, num esquema “muito bem montado/supermercado” da saúde tailândesa para quem tem dinheiro… (pois os hospitais públicos são como no Brasil, espera quase sem fim). Entra, sala 1, preenche  questionário 1, vai para sala 2, preenche questionário 2 agora com uma enfermeira fazendo exames, depois entra na sala 3 com um médico, te dão uns medicamentos na veia que você não sabe o que é na sala 4, aí pronto, passa no caixa com uma comanda: x de material, 2x medicamento, y enfermeira, 2y médico,  w hospital = uma quantia absurda, paga e sai com uma sacola amarrotaada de remédios: um monte de sacolinhas de plástico, com a quantidade certa de medicamento e uma etiqueta com o meu código de barras e as instruções de uso e horários.

Como não costumo tomar remédios, levei a primeira leva a boca e achei que em horas estaria zero! Que nada, fiquei vomitando até as 3 da manhã…

Caía o maior pé d’água lá fora, e o engraçado que as coisas só se acalmaram aqui dentro quando lá também sossegou.

Parou a tempestade, entreguei me ao sono.

Acordei horas depois lembrando da enérgica festa de Xangô que fui no dia 29 de junho, um sábado que eu já sabia que iria ser especial, pois tinha marcado o lançamento do meu livro, e por algum motivo antecipei para o 22. Comentei com a Pó: “Sei lá porque eu fiz isso, mas alguma coisa muito boa vai acontecer dia 29, você vai ver!).

Dito e feito, nessa linda celebração do fogo, a cada canto me sentia mais leve. Minhas mãos se enchiam de luz e eu me conectava com tudo e todos, como se os muros desmoronassem num efeito dominó. (Uma experiência muito forte e maluca que me fez dormir uns três dias seguidos…)

Na hora de ir embora fui me despedir de uma senhora que me chamou atenção, Izaura. Coincidentemente avó de uma das garotinhas que sentou ao meu lado no começo.

Pedi a bênção, e ela segurando as duas mãos sobre as minhas, olhando bem nos meus olhos, e balançando a cabeça pra cima e pra baixo disse: “Você vai ser muito feliz”. Agradeci, mas respondi sorrindo: “pode não parecer (pela cara de cansada as 5 da manhã) rs mas eu já sou feliz, muito feliz!”, e ela respondeu ” Mas você vai ser muito muito mais feliz” e na mesma hora um trovão caiu iniciando mais uma chuva da noite e eu comecei a chorar…  “Você viu, essa é a resposta de xangô, você vai ser muito mais feliz”.

Sei que não fui a toa bem no dia de Xangô. Qualquer coisa que me remete ao sol, me cativa: sou leonina, sol solar amarelo, pita, e segundo os tailandeses minha cor é vermelha, pois nasci num domingo, dia da semana regido pelo sol.

Deve ser por isso que vira e mexe o negócio pega fogo nas paredes do meu estômago e vem uma gastrite nervosa me fazer companhia. Haja água de coco para apagar… é só o que eu consigo tomar desde sábado. (Aqui já é terça).

A Ma acha que a minha “doença” vai além, “que vc é fogo eu não tenho dúvidas querida, mas praticando yoga todos os dias como tem feito, você libera muitos nadis e acaba expurgando um monte de coisas”…

E fiquei pensando com ela, e depois sozinha, o que tanto joguei na privada… pra vê se eu não ponho mais para dentro, e paro com esse ciclo vicioso.

Tudo que me disponho a fazer na vida, tem que ser no DESAFIO se não parece que não tem graça… (Eu sei, eu sou muito tonta mesmo).

Minha residência artística em gravura aqui na Tailândia não tem sido mole. E, como todos os meus intensivões (cursos de: massagem, mergulho, ilustração, fotografia, meditação, yoga…) chega aquele momento que eu me pergunto: “Que que eu tô fazendo aqui? Como eu sou sadomasoquista! Não podia ser em doses homeopáticas???”

Mas na verdade, acho que a dificuldade não está de fato nas horas interruptas de trabalho ao novo (que já demanda uma enorme energia), mas numa dificuldade em receber, não só o aprendizado em si, mas RECEBER o que tenho dentro de mim, pra mim mesma… rsrs compliquei?!  :oP

É que tenho achado minhas gravuras muito delicadas, muito “meninha demais”, sabe?  E quando eu me olho me vejo tãão diferente.

Porém, agora, mais “calminha de caminha” rs, estou me dando conta que talvez não seja mais esse monstro bravo, trator, que eu imagino tanto ser. Afinal,  eu não tenho dúvidas que tudo o que eu materializo em joias e ilustrações vem daqui de dentro, de um lugarzinho muito especial, que eu quero cada vez mais estar em contato.

Sendo assim, se são flores, e mais flores que querem sair, com cores menos fortes que costumo usar, voilá, cest  ça!

Que venha a delicadeza, se é o que de legítimo tem aqui dentro.

Com certeza temos muito de nós mesmos que não conhecemos… Que loucura, né?! O quão grande e profundo podemos ser nesse corpo pequeno é muito maluco….

Espero não ter mais que ficar doente para desacelerar de vez em quando, e receber tudo que seja merecedora, não importa que venha de mim, do outro ou do céu! rs

Enfim, receber é aceitar, e aceitar quem somos é um ótimo caminho para começar o ano!

Ok! Dessa vez sem as mil comemorações que costumo fazer: passei sozinha, de cama e sem nenhum amigo… o que parece triste, mas não foi!!

Só um novo jeito que a chuva soprou esse ano, água essa que já começou a regar o canteiro que a Dona Izaura plantou a sementinha: a de que quando dividimos conhecimento, multiplicamos felicidade!

Detalhe de uma das minha gravuras com ponta seca e FOGO! Claro! rs